A FORÇA DO TRIÂNGULO MINEIRO

Postado em 27/03/2017 às 09:47:10

Autoria: Fábio de Oliveira Alves e Davyson Demmer Guimarães Barbosa.

Agronegócio, genética bovina e produtos químicos: a região do Triângulo Mineiro se destaca em todos esses setores devido a características regionais privilegiadas. Localização estratégica entre importantes estados brasileiros, mão de obra qualificada, condições perfeitas para o agronegócio e excelente infraestrutura são os principais diferenciais da região.

Cabe ressaltar que em 2015 o governo de Minas Gerais reconsiderou a subdivisão interna do Estado com o intuito de melhorar o acompanhamento das demandas regionais e propor políticas públicas mais assertivas. Nessa ocasião, a região do Triângulo Mineiro, e parte da região então denominada alto Paranaíba, foi segregada em dois territórios denominados Triângulo Norte e Triângulo Sul. Em extensão territorial, somados, esses dois territórios correspondem a 13,67% de Minas Gerais.

O Território Triângulo Norte possui três microterritórios – Uberlândia, Patrocínio e Ituiutaba – contendo 30 municípios – dos quais 18 apresentam Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM 2010) alto e 12, médio – e população total de 1,179 milhão de habitantes em 2010 (MINAS GERAIS, 2016). Esse território destaca-se pela produção de leite, soja e café arábica. Além disso, possui bons índices quanto à infraestrutura das escolas públicas e tem a menor taxa de mortalidade infantil do Estado[1].

Já o território Triângulo Sul também é composto por três microterritórios – Uberaba, Araxá e Frutal – com 27 municípios (20 com IDHM alto e sete, médio), e população total de 698 mil habitantes em 2010 (MINAS GERAIS, 2016). Esse território destaca-se na produção de cana-de-açúcar e soja, na lavoura; e de leite, na pecuária. O Triângulo Sul possui a segunda menor taxa de mortalidade infantil do Estado.[2]

A Tabela 1 resume alguns dados econômicos desses dois territórios.

Tabela 1 – Dados econômicos dos Territórios Triângulo Norte e Triângulo Sul

Item Triângulo Norte Triângulo Sul Total Norte e Sul
PIB, a preços correntes (2013) R$ 41.565.131,86 mil (8,5% do estado) R$ 25.057.519,59 mil (5,1% do tado) R$ 66.622.651,45 mil (13,7% do estado)
PIB per capita a preços correntes – 2013 R$ 29.433,93 R$ 30.346,77
Taxa de desocupação em 2010 5,40% 5,41%

Fonte: elaboração própria. Dados extraídos de Minas Gerais (2016).

Percebe-se, pela Tabela 1, que o território Triângulo Norte apresenta maior participação no PIB nacional que o Triângulo Sul. Individualmente, o Triângulo Norte é o território que apresenta o terceiro maior PIB de Minas Gerais – atrás apenas do Território Metropolitano, com 44,0% de participação, e do Sul, com 9,6% – enquanto o Triângulo Sul, possui o quinto maior PIB (MINAS GERAIS, 2016). Juntos, esses territórios representam o segundo maior PIB do Estado.

Com relação aos empreendimentos assistidos pelo INDI, a Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais, atualmente 9,29% dos projetos ativos na carteira de empreendimentos assistidos pelo INDI, a partir de 2010, localizam-se nesses territórios, o que corresponde a 17,25% do total do valor investido. Essa participação é maior que a supramencionada referente ao PIB, o que indica que esses territórios são atraentes para implantação de investimentos em Minas Gerais.

Apresenta-se, a seguir, algumas características desses territórios, de forma agregada. Foram selecionados alguns dados socioeconômicos e demográficos e itens que contribuem para o desenvolvimento da região, como dados de exportação, cidades-polo, infraestrutura, instituições de ensino, entre outros. 

Principais produtos exportados

Minas Gerais foi o segundo estado brasileiro que mais exportou em 2015, com US$ 22,01 bilhões exportados, o que representou 11,5% das exportações brasileiras. Nesse período, o território Triângulo Sul ocupou a segunda posição em valor das exportações mineiras, com 11,4% de participação, ficando atrás apenas do território Metropolitano, com 44,1% do total exportado. Já o Triângulo Norte ocupou a quinta posição nesse ranking, com 5,3% das exportações do estado em 2015. Os principais itens exportados produzidos no Triângulo Norte estão resumidos no Gráfico 1.

Gráfico 1 – Principais itens exportados provenientes do território Triângulo Norte

Fonte: Exportaminas (2016)

Conforme ilustrado no Gráfico 1, café, produtos de origem vegetal, carnes e soja são os principais itens/grupos de produtos exportados produzidos no Triângulo Norte. Analogamente, o Gráfico 2 ilustra os itens predominantes nas exportações originárias do Triângulo Sul.

Gráfico 2 – Principais itens exportados provenientes do território Triângulo Sul

Fonte: Exportaminas (2016)

Verifica-se que produtos metalúrgicos representam mais da metade das exportações oriundas do território Triângulo Sul, enquanto o complexo sucroalcooleiro é o segundo grupo, com quase 27% do valor exportado por esse território.

Maiores cidades

A seguir serão apresentados alguns dados socioeconômicos e demográficos dos cinco maiores municípios localizados nesses dois territórios: Uberlândia, Araguari e Ituiutaba, no Triângulo Norte; Uberaba e Araxá, no Triângulo Sul. A Tabela 2 apresenta um resumo geral de dados dos cinco maiores municípios localizados nos territórios Triângulo Norte e Sul.

Tabela 2 – Síntese de dados dos cinco maiores municípios dos Territórios Triângulo Norte e Triângulo Sul

Item Uberlândia Araguari Ituiutaba Uberaba Araxá Unidade
População estimada 2016 669.672   116.871    103.945     325.279   103.287 pessoas
PIB, a preços correntes (2013) 25.774.947 2.860.584 2.545.711 10.882.907 4.240.870 mil reais
PIB per capita a preços correntes – 2013 39.857,78 24.881,13 24.953,06 34.509,47 42.414,63 reais
Matrícula – Ensino fundamental – 2015 78.053 13.232 11.279 36.019 12.633 matrículas
Matrícula – Ensino médio – 2015 23.384 4.050 3.443 11.641 3.827 matrículas
Pessoal ocupado total 247.538 25.500 25.040 103.191 31.804 pessoas
População residente alfabetizada 537.713 97.365 83.277 263.932 83.613 pessoas
População residente que frequentava creche ou escola 186.165 28.866 25.506 83.571 26.880 pessoas
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – 2010 (IDHM 2010) 0,789 0,773 0,739 0,772 0,772
Estabelecimentos de Saúde SUS 108 48 53 71 24 unidades

Fonte: Elaboração própria. Dados do IBGE Cidades (2016).

O município de Uberlândia é o maior dos Triângulos e segundo maior do estado de Minas Gerais, tanto em população quanto em PIB. Sua população era de 604 mil habitantes em 2010, e estimada em 669,7 mil pessoas em 2016, o que representa crescimento à taxa média anual de 1,73% nesse período. Além de ocupar a segunda posição estadual, o PIB de Uberlândia também representa a 21ª posição nacional, com o valor de R$ 25,775 bilhões em 2013 (IBGE, 2015).

Algumas empresas instaladas nos territórios Triângulo Norte e Triângulo Sul

Para ilustrar a representatividade do ambiente empresarial presente nos territórios Triângulo Norte e Triângulo Sul, citam-se, a seguir, alguns empreendimentos assistidos pelo INDI instalados nos maiores municípios desses territórios:

  • Uberlândia: Adfert Aditivos Ind. e Com. Ltda, Algar S.A. Empreendimentos e Participações (Algar Agro e Farming), Alsol Energias Renováveis, Ambev, Cargill Agrícola S.A., Companhia Mineira de Açúcar e Álcool Participações, Itambé Alimentos S.A., JBS, Martins Comércio e Serviços de Distribuição S.A., M. Dias Branco S.A. Ind. e Com. de Alimentos, Paranaíba Fertilizantes Ind. e Com. Ltda, Produtos Erlan Ltda., Sadia S.A. e Souza Cruz S.A., ME-LE Energietechnik GMBH.
  • Uberaba: Black & Decker do Brasil Ltda., Companhia Mineira de Açúcar e Álcool Participações, Dagranja Agroindustrial Ltda., Duratex Industrial S.A., JBS, Magnesita Refratários S.A., Ouro Fino Química Ltda, Sipcam Agro S.A., Vale Fertilizantes S.A. e Yara Brasil Fertilizantes S.A.
  • Araguari: Arroz Vasconcelos, Bunge Alimentos S.A., Frigorífico Mataboi S.A. e Indústrias Alimentícias Maguary S.A.
  • Araxá: Bem Brasil Alimentos Ltda, Bunge Fertilizantes S.A. e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM).
  • Ituiutaba: Nestle.

Destaque especial pode ser dado à CBMM localizada em Araxá, a principal fornecedora de nióbio e de tecnologias desse produto no mundo. Alguns outros empreendimentos de grande porte na região, que não receberam assistência do INDI são: ADM, Aliança Atacadista, Arcom (Atacado Distribuidor), Louis Dreyfus Company (LDC), MonSanto, Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S.A., entre outros.

Polos produtores

  • Indústria química

Os territórios Triângulo Norte e Triângulo Sul concentram um número considerável de indústrias químicas que se destacam na produção econômica de Minas Gerais. Dentre as empresas ligadas à química se destacam os produtores de fertilizantes, principalmente os fosfatados ou provenientes da rocha fosfática.

De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em 2015, o Brasil consumiu mais de 30 milhões de toneladas de fertilizantes, enquanto produziu pouco mais de 9 milhões de toneladas. Portanto, existe uma dependência de 21 milhões de toneladas de fertilizantes no mercado brasileiro[3]. Com as previsões de crescimento da produção agrícola, consequentemente, espera-se um aumento do consumo de fertilizantes fosfatados, o que, aliado à valorização da moeda estrangeira, contribui para que sejam produzidos localmente os recursos fertilizantes que a produção agrícola do Brasil necessita.

Minas Gerais detém cerca de 68% das reservas de fosfato do Brasil (IBRAM, 2011) e é o estado brasileiro que apresenta a maior capacidade produtiva de fertilizantes. A região dos Triângulos apresenta diversos exemplos de empresas produtoras de matéria prima ou misturadoras que atendem as demandas das culturas produtivas de açúcar, café, laranja, soja e outras. Existem grandes empresas que receberam auxílio do INDI para implantação, como FMC do Brasil, Ouro Fino Química, Vale Fertilizantes ou Yara Brasil (empresa de origem norueguesa que forma joint venture com a Galvani), que se localizam em Uberaba, no Triângulo Sul. Esse município apresenta atrativos para indústrias químicas como o Distrito Industrial III, que possui perfil adequado para receber indústrias químicas e de fertilizantes.

Nesse sentido, espera-se que a região do Triângulo venha ser contemplada com a implantação de mais empresas que possam ser fornecedoras de matérias primas para fertilizantes, como as tentativas feitas pela Unidade de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras em Uberaba e da Vale Fertilizantes em Patrocínio, que obteve licença de instalação aprovada em abril de 2016[4], além do projeto da Galvani em Serra do Salitre, que está em fase de implantação.

  • Agronegócio/Genética bovina

A região de Uberaba ostenta o posto de maior polo mundial de genética zebuína, e nesse município se encontra a sede da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A produção pecuária que envolve o zebu garante a excelência da produção de leite e carne bovina de qualidade que atendem o mercado brasileiro e internacional. Dentro da agropecuária da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, de acordo com a divisão de mesorregiões do IBGE, mais de 50% dos estabelecimentos instalados nessas regiões se dedica à criação de bovinos, o que engloba mais de 7.200 estabelecimentos. De acordo com os dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2014 (RAIS), naquele ano havia mais de 66 mil pessoas empregadas na produção agropecuária na mesorregião do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e, desse total, mais de 15 mil pessoas estavam dedicadas às atividades de criação de bovinos.

Percebe-se, portanto, que as atividades de criação de bovinos se destacam como principal atividade agropecuária nas regiões Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba no que diz respeito a quantidade de estabelecimentos envolvidos e número de pessoas empregadas. As Figuras 1 e 2 a seguir ilustram a relevância da criação de bovinos para as atividades agropecuárias dessas regiões.

Figura 1 – Estabelecimentos agropecuários no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba

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Fonte: Dataviva/Rais

Figura 2 – Distribuição de empregados por agregação de classe

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Fonte: Dataviva/Rais

Com relação à produção da agropecuária, o Triângulo Sul encontra-se em primeiro lugar entre os territórios de planejamento de Minas Gerais na produção de lavoura temporária, com destaque para a produção de cana-de-açúcar que foi de R$ 1,98 bilhão em 2014, seguida pela produção de soja, R$ 774,8 milhões naquele ano. A pecuária do território se destaca principalmente pela produção de leite proveniente de gado zebuíno que foi de R$ 753,8 milhões, conforme pode ser observado na Figura 3.

Figura 3 – Produção agropecuária do território Triângulo Sul

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Fonte: Minas em Números (2016)

Já a pecuária do Triângulo Norte destaca-se pela segunda posição no ranking dos territórios mineiros.  Quantos aos produtos agropecuários desse território, o principal produto da lavoura permanente é o café, com produção de R$ 1,45 bilhão em 2014, seguido pela produção de leite (pecuária) com R$ 1,14 bilhão, e a soja em grãos (lavoura temporária), com R$ 972,6 milhões em valor produzido naquele ano, conforme resumido na Figura 4.

Figura 4 – Produção agropecuária do território Triângulo Norte

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Fonte: Minas em Números (2016)

Diante da importância da produção agropecuária e da produção da indústria química além de outras indústrias, percebe-se que os territórios do Triângulo Norte e Triângulo Sul estão entre as regiões que apresentam relevante nível de desenvolvimento e dinâmica econômica em relação a outras regiões de Minas Gerais, ocupando posição de destaque tanto em produção agropecuária quanto industrial, que atendem tanto o mercado brasileiro quanto estrangeiro.

O gerente de projetos do Brasil da ME-LE Energietechnik, Christian Belt, confirma o potencial do triângulo para o desenvolvimento de projetos relacionados ao agronegócio. A ME-LE é uma empresa alemã especializada em projetos de biomassa, que se instalou em Uberlândia em 2016. De acordo com o gerente, a empresa realizou um estudo de viabilidade para a compreensão do potencial de biogás a partir dos dejetos da suinocultura em diferentes regiões do Brasil e acabou decidindo se instalar em Uberlândia. Para ele, a localização central no Brasil e a boa conexão logística, com aeroportos e rodovias também contribuiu para a escolha pela cidade. Christian Belt afirma ainda que “o potencial (de Uberlândia) é muito alto para atração de novos investimentos e, em geral, a cidade é muito vantajosa para investir”. Contribuiu ainda para a decisão o acordo de cooperação assinado entre o estado de Minas Gerais e a região de Mecklenburg Vorpommern, estado alemão de origem da empresa.

Infraestrutura e Logística

Existem dois aeroportos administrados pela Infraero localizados no Triângulo Mineiro: um em Uberlândia, com capacidade de 600 mil passageiros por ano; e outro em Uberaba, com capacidade de 200 mil passageiros por ano (Infraero, 2016a, 2016b).

Além disso, a presença de duas Estações Aduaneiras de Interior – EADI, conhecida como “porto seco” (dry port), em Uberaba e Uberlândia, é um fator que contribui para a realização de comércio exterior por empresas da região.

A EADI é um terminal alfandegado de uso público, situado em uma zona secundária, destinado à prestação de serviços públicos de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, serviço esse realizado por terceiros. Um porto seco pode proporcionar os seguintes benefícios para os agentes econômicos envolvidos com o comércio exterior, do ponto de vista das exportações: redução no custo de transporte; proximidade entre as autoridades aduaneiras e o exportador; agilidade no desembaraço perante a fiscalização; uso de regime aduaneiro especial denominado Depósito Alfandegado Certificado – DAC. Para as importações, também existem vantagens (NASCIMENTO, 2002).

Também merece destaque a estrutura para transbordo e armazenagem de grãos e açúcar do Terminal Integrador Uberaba, inaugurado em junho de 2016, construído pela empresa Valor da Logística Integrada (VLI), empresa que integra terminais, ferrovias e portos. O empreendimento, localizado no km 116 da BR-050, está interligado à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), na rota agrícola do Corredor Centro-Sudeste, com destino à exportação pelo terminal portuário da VLI em Santos (VLI, 2016).

Esse terminal terá capacidade de movimentar 6,3 milhões de toneladas de grãos e 2,4 milhões de toneladas de açúcar anualmente, quando totalmente concluído. As cargas, provenientes de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais – grandes produtores agrícolas – chegam ao local por meio de transporte rodoviário. Na unidade, são realizados a descarga dos caminhões, o armazenamento e o transbordo dos produtos para os trens, que seguem pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), controlada pela VLI, até o Porto de Santos (VLI, 2016). A construção desse terminal em Uberaba visa atender à demanda crescente de exportação de grãos do País.

Os principais produtos desse terminal são soja, farelo, milho e açúcar (este último após a conclusão das obras do terminal). De acordo com a VLI[5], “Quando totalmente concluído, o TI Uberaba será também responsável pela movimentação de açúcar, caracterizando-se como um dos maiores e mais modernos terminais de carga da América Latina.”

Além dos itens supracitados, esses territórios possuem boas condições gerais de infraestrutura, logística e também de localização, dada sua proximidade tanto com o estado de São Paulo, como com a região centro oeste do País, por meio da fronteira do estado com Goiás e Mato Grosso do Sul. Tais vantagens são ratificadas por um dos grandes empreendimentos instalados na região: “A escolha de Uberlândia para a instalação da nova cervejaria da Ambev se deve a excelente infraestrutura, mão de obra qualificada e posição geográfica estratégica – próxima aos grandes mercados consumidores, o que garante maior eficiência na entrega e distribuição das bebidas da companhia.” (AMBEV, 2016).

Uma vez que essa região conecta os estados de Goiás e São Paulo, ela representa uma localização geográfica estratégica por ser o principal corredor de ligação entre esses estados, que apresenta grande fluxo de transporte terrestre de cargas, muito em função do trajeto para o porto de Santos. Ademais, destaca-se que esses territórios se localizam em uma região que une grandes centros consumidores e também produtores, em especial, de grãos provenientes de Goiás e Mato Grosso.

Nesse sentido, essa localização privilegiada do Triângulo Mineiro favorece a instalação de centros de distribuição. A existência de empresas que atuam nesse segmento de atacado distribuidor, sediadas em Uberlândia, ratifica essa informação:

  • Aliança Atacadista: atua em nove Estados brasileiros e no Distrito Federal;
  • Arcom: criado há mais de 50 anos, atua em 14 estados além do Distrito Federal;
  • Martins Comércio e Serviços de Distribuição S.A.: o maior atacadista-distribuidor do País, instalado em Uberlândia há mais de 60 anos, e atuando em quase todo o Brasil; e
  • Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S.A.: também atuando há mais de 50 anos, atualmente abrange 12 estados brasileiros.

Formação de mão de obra qualificada

Nesses territórios estão instaladas duas universidades federais – a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com sede na cidade de Uberlândia, e a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), com sede em Uberaba. Há, ainda, mais dois campi da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), uma em Ituiutaba e outra em Frutal.

A região conta também com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM), instituição pública de ensino que abrange cursos superiores de bacharelado – graduação e pós, além de cursos técnicos e/ou integrados ao ensino médio. Esse Instituto foi criado mediante integração do Centro Federal de Educação Tecnológica de Uberaba e da Escola Agrotécnica Federal de Uberlândia. O IFTM possui campi em Campina Verde, Uberlândia, Ituiutaba e Patrocínio, no Triângulo Norte; em Uberaba, no Triângulo Sul; e em Paracatu e Patos de Minas, no território Noroeste.

Também estão instaladas nesses territórios oito unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, em seis municípios: Araguari, Ituiutaba, Patrocínio e Uberlândia, no Triângulo Norte, e em Araxá e Uberaba, no Triângulo Sul. O Senai oferece diversos cursos técnicos, de aprendizagem industrial, de qualificação e de aperfeiçoamento profissional.

Outros atrativos da região

A região dos territórios Triângulo Norte e Triângulo Sul é marcada por eventos de significativa relevância nacional, como:

  • Expozebu: A Exposição Internacional de Gado Zebu (Expozebu) é uma feira de genética, tecnologia e negócios, promovida anualmente pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em Uberaba. A feira reúne empresas de diversos segmentos, com destaque para aquelas que compõem o setor produtivo do Agronegócio, sendo um polo de encontro da cadeia produtiva da carne e do leite produzidos no Brasil (ABCZ, 2016).
  • Feniub: a Feira Nacional da Indústria de Uberlândia é promovida pela Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub) desde 1969; e
  • Fenicafé: Feira Nacional de irrigação em Cafeicultura, em Araguari.

Considerações Finais

Os territórios Triângulo Norte e Triângulo Sul são regiões que apresentam dinâmica econômica e social relevantes para o estado de Minas Gerais e Brasil, com destaque em produção agropecuária, da indústria extrativa mineral, indústria química e outras como as de alimentos e bebidas. Os municípios dessa região apresentam altos índices de desenvolvimento humano e estão aptos a receber mais investimentos, o que pode ser viabilizado com o apoio do INDI, a Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais.

Todos os serviços prestados pelo INDI são gratuitos para os investidores e a Agência se encontra de portas abertas para prestar todos os esclarecimentos necessários para aqueles que anseiam investir em Minas Gerais, não apenas nos territórios Triângulo Norte e Triângulo Sul. O INDI possui equipe técnica especializada em apoiar empresas na viabilização de empreendimentos, desde a concepção até a implantação e operação do projeto. Ademais, o INDI presta auxílio aos empreendimentos já instalados, de acordo com a demanda do empreendedor, além de auxiliar no processo de exportação e importação de produtos e serviços das empresas interessadas em comércio exterior.

Referências

[1] http://www.forunsregionais.mg.gov.br/regiao/triangulo-norte.

[2] http://www.forunsregionais.mg.gov.br/regiao/triangulo-sul.

[3] Informações disponíveis em http://anda.org.br/index.php?mpg=03.00.00, acesso em 24/11/2016.

[4] Notícia disponível em http://www.diariodocomercio.com.br/noticia.php?tit=vale_retoma_projeto_de_fosfato_em_patrocinio&id=168476

[5] Disponível em: http://www.vli-logistica.com/pt-br/conheca#sessao1. Acesso em 06/02/2017.

ABCZ. Associação Brasileira dos Criadores de Zebu. Sítio da associação. 2016. Disponível em: http://www.abcz.org.br/Exposicoes/Conteudo/23296-Apresentacao. Acesso em 04 de janeiro de 2017.

AMBEV. 2016. Ambev inaugura cervejaria em Uberlândia (MG) com investimento de R$ 770 milhões. Disponível em: http://www.ambev.com.br/imprensa/releases/ambev-inaugura-cervejaria-em-uberlandia-mg-com-investimento-de-r-770-milhoes/. Acesso em 03 de janeiro de 2017.

EXPORTAMINAS. Panorama do Comércio Exterior de Minas Gerais. Governo do Estado de Minas Gerais/ Exportaminas. 2016.

FJP. Fundação João Pinheiro. Índice Mineiro de Responsabilidade Social – IMRS – Perfil Municipal. 2015. Disponível em: http://imrs.fjp.mg.gov.br/Perfil. Acesso em 18 de novembro 2016.

IBRAM. Instituto Brasileiro de Mineração. Informações e Análises da Economia Mineral Brasileira. 2011. Disponível em http://www.ibram.org.br/sites/1300/1382/00001456.pdf. Acesso em 28 de novembro de 2016.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Sítio do IBGE Cidades. 2016. Disponível em: http://cidades.ibge.gov.br/xtras/uf.php?lang=&coduf=31&search=minas-gerais. Acesso em 18 de novembro 2016.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Produto Interno Bruto dos Municípios 2010-2013. 2015. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv95014.pdf. Acesso em 28 de novembro de 2016.

INFRAERO. Aeroporto de Uberlândia – Ten. Cel. Aviador César Bombonato. 2016a. Disponível em: http://web04.infraero.gov.br/index.php/aeroportos/minas-gerais/aeroporto-de-uberlandia.html. Acesso em 30 de novembro de 2016.

INFRAERO. Aeroporto de Uberaba – Mário de Almeida Franco. 2016b. Disponível em: http://www4.infraero.gov.br/aeroportos/aeroporto-de-uberaba-mario-de-almeida-franco/sobre-o-aeroporto/historico/. Acesso em 02 de janeiro de 2017.

MINAS GERAIS. Minas em Números. 2016. Disponível em: http://www.numeros.mg.gov.br/QvAJAXZfc/opendoc.htm?document=MapaResultados.qvw&host=QVS%40vm13532&anonymous=true. Acesso em 28 de novembro de 2016.

NASCIMENTO, S. S. Estação Aduaneira de Interior – EADI – Melhoria da Logística Brasileira. 2002. Disponível em: http://www.guialog.com.br/ARTIGO275.htm. Acesso em 29 de novembro de 2016.

VLI. VLI inaugura estrutura de grãos do Terminal Integrador Uberaba. 2016. Disponível em: http://www.vli-logistica.com.br/pt-br/node/640. Acesso em 06 de fevereiro de 2017.